PODER, FÉ E GUERRA NO SERTÃO


TROCA DE IDEIAS – CCBNB CARIRI

PE. CÍCERO: PODER, FÉ E GUERRA NO SERTÃO

Quarta-feira (02/12/09), 19h

Lira Neto – autor de “Castello: a marcha para a ditadura”; “O Inimigo do Rei: uma biografia de José de Alencar” e “Maysa: só numa multidão de amores” (que deu origem à minissérie) – discute o seu recente lançamento – “Pe. Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão” – com a parapsicóloga Maria do Carmo Forti, autora do livro “Maria do Juazeiro: a beata do Milagre”.

Mediação: Paula Izabela



2009

RAÍZES DA CULTURA BRASILEIRA




Aguarde postagem...

ALMA BEAT


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TERRA DE STA. CRUZ - ADÉLIA PRADO

"O transe poético é o experimento de uma realidade anterior a você. Ela te observa e te ama. Isto é sagrado. É de Deus. É seu próprio olhar pondo nas coisas uma claridade inefável. Tentar dizê-la é o labor do poeta." Adélia Prado

Tive uma grata surpresa quando recebi no final de agosto uma ligação do CCBNB de Sousa me convidando para montar uma proposta que atendesse os vestibulandos da UFCG em setembro. Pediram que escolhesse entre a obra de Ana Miranda e a de Adélia Prado, como meu "forte" sempre foi poesia optei pela segunda.

Noite de 11 de setembro, após o casamento de Mimi, senti uma terrível crise de tendinite e acabei sendo internada no dia 12, sábado, pela manhã. Sobre os dias que passei na Clínica precisarei de outra postagem para resumir. Precisei amolar muito os médicos para conseguir minha alta na terça-feira, dia 15. Mesmo com dores, ignorando tudo e todos, no dia seguinte estava em Sousa-PB; hospedada no terceiro andar da Pousada Coco Verde e sem elevador. Serginho foi feliz em sua sentença: "Pra cumprir um compromisso você viria tomando soro na ambulância". Impressiontante como sempre que preciso viajar para lá tenho que lutar com alguns moinhos de vento antes.


CURSO DE APRECIAÇÃO DE ARTE

A TERRA DE SANTA CRUZ DE ADÉLIA PRADO

FACILITADORA: PAULA IZABELA

Dias: 16, 17, 18 e 19 de setembro de 2009

Local: CCBNB de Sousa - PB

Terra de Santa Cruz, livro de poemas de Adélia Prado, reúne poemas escritos em linguagem coloquial, inovadora e estranhamente imbuída de religiosidade e erotismo - sintomas de uma crise no ethos poético adeliano. Nele ocorre o anúncio da mudança que está prestes a acontecer; mostrando os processos da vida em seus ciclos de alegrias, dores, reconhecimento e superação. O império das coisas é tão absoluto que as próprias palavras se mostram densas e sólidas no caminho da reconquista do mundo que impregna os sentidos.

EMENTA DO CURSO:

- Não existe Arte sem dor
- O poder humanizador da poesia
- Dona doida: a experiência do prazer
- Licença poética na Terra de Santa Cruz
2009

SENTIR TUDO DE TODAS AS MANEIRAS - PB

“Viver não é necessário; o que é necessário é criar. Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso. Só quero torná-la grande, ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.” Fernando Pessoa


ABAIXO O DIA DOS NAMORADOS! Calma... Este não é um manifesto contra o dia mais meloso e consumista do ano, longe do meu blog detonar a troca de presentes... O que seria dos meus amigos comissionados? O que mais me incomoda nessa data é a aproximação com meu aniversário, meu presente acaba ficando para segundo plano e nem sempre sobra dinheiro nos bolsos amigos (risos).

Por dois anos consecutivos, não precisei boicotar o DIA DOS NAMORADOS porque o meu trabalho conspirou para isso. Ano passado estava sozinha (sozinha mesmo, era a única hóspede no primeiro andar do Gadelha Palace Hotel) em Sousa-PB, acendendo velinhas para o meu amor lisbonense:

CURSO DE APRECIAÇÃO DE ARTE

Pessoa: 120 anos do caleidoscópio poético

Facilitadora:
Paula Izabela

Dias: 10, 11, 12 e 13 de junho de 2008

Local: CCBNB Sousa - PB

Considerando que em 13 de junho de 2008 comemoramos o aniversário de 120 anos de Fernando Pessoa (13/06/1888 – 30/11/1935), vendo a necessidade de nos debruçarmos sobre as questões suscitadas em torno de sua obra. Pessoa não se encaixa em nenhum sistema complexo e coerente, por mais que a crítica tente impor-lhe os limites do unitário. Legou-nos um vasto acervo de sua produção inovadora para a fortuna da Literatura Portuguesa. Diante da magnífica profundeza do seu talento, animamo-nos a homenageá-lo através de uma apreciação vertical de sua poesia ortônima e heterônima.

Exatamente no dia 12, fui sozinha (para variar um pouquinho) conhecer o Vale dos Dinossauros. Passei a manhã por lá e fiz umas cem fotos do lugar (quem conhece o lugar e me conhece sabe que foram umas trezentas).
Este ano o boicote involuntário foi pelo Literatura em Revista: Sentir tudo de todas as maneiras. Felizmente dessa vez, tinha ótimas companhias: Marcinha – a parceira de projetos mais engraçada/atrapalhada que existe, e Tallyta – a ajudante mais risonha/desastrada do planeta. Manhã do dia 12, às 09h, estávamos embarcando para Sousa – PB.
Ah! Como a véspera havia sido feriado de Corpus Christi não tive nenhum dos problemas da viagem de maio - veja postagem: A fragmentação lírica do Eu drummoniano. Foi a primeira vez que Tallyta saiu do estado e logo a trabalho (morar com uma workaholic é phoda); por isso, fiz questão de passear bastante seguindo as dicas da amiga Alinne Gadelha. Gastamos nosso cachê bancando as turistas. Viva nós!!!
Sem dúvidas, foi a viagem mais divertida da minha vida. Afinal de contas, não é todo ano que você esquece o DIA DOS NAMORADOS porque estava muito ocupada...
- procurando absorvente no frigobar;
- fechando a porta por dentro com a chave pelo lado de fora;
- dormindo numa mesa de restaurante depois de um pavê de maracujá;
- pedindo o telefone de um jumento manco que encontra na estrada...

2009

ÁGUA DE COCO

Sou barroca.
Sou intensa.
Não aprecio meio termo.
Equilibrium não sou eu.
Quero ser tudo em toda parte.
Quero ser toda por todo tempo.
Quero viver tudo de todas as maneiras.

Expliquei-lhe: sou hiperbólica por natureza!
O jornalista respondeu que eu era hiper um monte de coisas:
curiosa, inconsequente, insana.
Vindo dele não era elogio.

Hoje ele diz que esqueceu meu nome.
Eu lembro seu sobrenome,
idade, profissão, estado civil, sexo.
Principalmente o sexo.
(Preferi esquecer as mentiras)

Também lembro a primeira noite:
minha mão perdida na sua,
a sua explorando reentrâncias,
a poluição abominada,
as luzes voluntariosas,
o jazz aplaudido,
a maciez dos cabelos,
o cheiro do whisky,
o som da respiração,
o frio da noite,
o desconforto da cama.
Lembro que faltou açúcar no café da manhã.
Lembro o que foi silenciado
e o que deveria ser omitido.

Devia ter percebido
ele branco hipo e eu negra hiper.
Eu acreditando em beleza interior,
ele fazendo piada.
Eu querendo operar,
ele achando atraente.
Eu não gosto de espinhos,
ele não gosta de rosas.
Eu sincera e espontânea,
ele fingindo ter Alzheimer.

A vida tem formas e tons mais amenos
quando se toma água de coco.
2009

CONSTATAÇÃO

Códigos, senhas, acessos, mentiras, verdades.
Atuar, gozar, guerrear, fingir, sobreviver.
Segredos, medos, artimanhas e maldades.
Relações descartáveis, embalagens descartadas.
Fugas completas, complexas fugas.
Meia culpa, culpa e meia.

Uma espera em vão no corpo de menina.
Uma expectativa desperdiçada no corpo de moça.
Um vazio impreenchível no corpo de mulher.
Uma saudade petrificada no corpo de senhora.

Minha impaciência tem nome – solidão.
Minha decepção tem nome – mentira.
Minha angústia tem nome – ausência.
Minha dor tem nome – traição.

Se eu fosse fogo estaria incendiando,
Se eu fosse nuvem estaria chovendo,
Se eu fosse navio estaria naufragando,
Se eu fosse terra estaria estremecendo,
Se eu fosse arranha-céu estaria desmoronando,

Poder... Poderia...
Poderia rasgar a alma em mil pedaços.
Poderia decepar cabeças para espalhar meu rancor.
Poderia abraçar o abismo para provar minha bravura.
Poderia construir pontes até você com as pedras lançadas.
Poderia conquistar o mundo para obrigá-lo a estar aos meus pés.

Sonhei que perdia meus dentes,
catava-os do meio do lixo,
retirava o pó e guardava.
Com você é diferente...
Continue no lixo e no pó!
Não é ódio, é constatação.
2009

DESCOBERTAS


Amedrontar?
Assustar?
Aterrorizar?
O que querem?
O que pretendem?
O que buscam?
Correntes para minhas asas?
Não prenderão minha alma gigante.
Gigante ou mesquinha?
Pura ou devassa?
Humilde ou altiva?
Às vezes tudo isso.
Às vezes nada disso.

Tinha um pelo no cavanhaque...
Há tempos precisava me livrar dele,
Antes que fosse preso ou aniquilado.
Nunca pensei que pudesse arrancá-lo com os dedos.
Hoje consegui!
Hoje consegui muito mais do que esperava...
Descobri que nunca aprendo em quem confiar.
Descobri que meus perseguidores são obstinados.
Descobri que a aparência pesa mais do que o invisível.
Descobri que seguranças são nuvens que se dissolvem.
Descobri que se não posso ser usada me torno desprezível.
Descobri que se não me deixo explorar me torno uma ameaça.
Descobri que quem se arrepende nem sempre é digno de uma nova chance.
2009

AMIGOS DE ESTIMAÇÃO: SÓ QUEM TEM SABE

Em 30 de maio de 2009, estive no CCBNB Sousa - PB ministrando duas sessões no Programa Construindo Histórias da Oficina Amigos de estimação: só quem tem sabe. O estímulo para a iniciativa foi minha rotina felpuda. Afinal de contas, só quem tem um amigo de estimação sabe o que é...

  • Ter os telefones do cel e residência de pelo menos quatro veterinários;

  • Ter uma farmácia veterinária em casa com antibiótico, antinflamatório, antitérmico, vitaminas, antiviral, analgésico e até remédio para afta;

  • Encontrar a roupa nova que você ainda não pagou cheia de pelos;

  • Descobrir a bolsa ou a mala retalhada por unhas afiadas;

  • Separar o dinheiro da ração do mês assim que receber o salário;

  • Cuidar da patinha de Cinzento que estava na carne viva por ter sido amarrado por "sequestradores";

  • Bater de porta em porta na vizinhança: alguém viu um gato cinzento com uma cicatriz na pata dianteira?

  • Dar banho em Cinzento diariamente para livrá-lo das coceiras;

  • Dividir uma panelona de pipoca com Cinzento;

  • Encontrar Cinzento sem vida, passar a noite no quintal com Mimi velando o corpo até o enterro na manhã seguinte;

  • Dar leite a Ferinha num tubinho de colírio enquanto ele não aprende a se alimentar sozinho;

  • Limpar o olho remelento de Ferinha com soro fisiológico;

  • Colocar Ferinha dentro de um saco de chilito para dar risada com ele dando ré;

  • Correr a casa toda com Ferinha no braço para o pedreiro não castrá-lo;

  • Escalar o telhado dos vizinhos para tirar Ferinha que não tinha medo de subir, mas se apavorava na hora de descer;

  • Morrer de inveja dos banhos de sol de Ferinha;

  • Deixar Ferinha comer as plantas de mamãe só porque ele é fofo;

  • Ver o bolo de aniversário da prima todo marcado pelas patas de Ferinha;

  • Fazer campanha no orkut para encontrar Ferinha que sumiu aos 13 anos;

  • Ver Juliano roubar o teclado do computador para apertar tudo e olhar esbugalhado para a tela a fim de descobrir o que acontece;

  • Deixar Juliano dormir em cima da cama porque ele está com febre (e tem olhos azuis);

  • Achar lindo Juliano morder e arranhar todas as sandálias só por brincadeira;

  • Morrer de inveja de Juliano quando ele dorme o dia todo com a barriga para cima;

  • Comprar ração especial para Juliano por causa do problema de urina dele;

  • Ligar para a clínica trocentas vezes seguidas: por favor, eu queria falar com Dr. Marcelo é sobre Juliano...;

  • Ficar com o coração partido por colocar Juliano na coleira para ele não sumir na hora de tomar o expectorante;

  • Correr para socorrer Juliano porque ele derrubou uma escada de ferro por cima da própria cabeça;

  • Subir numa parede para desenganchar a coleira de Juliano de uma altura de três metros, enquanto ele se debatia quase se enforcando;

  • Chorar com Juliano nos braços quando o veterinário diagnostica o derrame pulmonar;

  • Reunir as amigas em casa para cuidar da falta de ar de Juliano;

  • Caminhar descabelada, descalça e de camisola no telhado da casa para pegar Juliano no primeiro andar da vizinha;

  • Ver Juliano despencar de cima da estante com todos os porta-retratos de vidro e cerâmica;

  • Ajudar no parto da desengonçada da Nega, mesmo detestando-a por bater em Juliano;

  • Dormir entre lágrimas imaginando horrores pelo paradeiro do trio fujão; enquanto Juliano, Branquinha e Nega estão presos na construção da vizinhança;

  • Confundir Branquinha dormindo com as outras estátuas da estante;

  • Deixar Charmosa arranhar o espelho para bater no filhotinho que está olhando para ela;

  • Ver Nega rosnar feito um cachorro cada vez que alguém passa perto da ração dela;

  • Filmar o parto de Léia, consequência de uma gravidez prematura;

  • Não resistir aos olhinhos de Marcelino na clínica e adotá-lo mesmo já tendo cinco felinos em casa.
Só quem tem amigos de estimação sabe que não precisa chorar o leite derramado... Basta reunir os gatinhos!!!

PS: Essa foto não foi planejada, foi desastrada mesmo (risos). Tallytinha derramou leite no pé da geladeira e antes que a avó dela reclamasse, reunimos os "esfregões peludos" para limparem tudo. Da esquerda para a direita: Léia, Charmosa, Juliano, Nega e Branquinha. Se você acha que sou louca, não sou a única...

ODE AO GATO - Artur da Távola

Nada é mais incômodo para a arrogância humana que o silencioso bastar-se dos gatos. O só pedir a quem amam. O só amar a quem os merece. O homem quer o bicho espojado, submisso, cheio de súplica, temor, reverência, obediência. O gato não satisfaz as necessidades doentias de amor. Só as saudáveis.

Já viu gato amestrado, de chapeuzinho ridículo, obedecendo às ordens de um pilantra que vive às custas dele? Não! Até o bondoso elefante veste saiote e dança valsa no circo. O leal cachorro no fundo compreende as agruras do dono e faz a gentileza de ganhar a vida por ele. O leão e o tigre se amesquinham na jaula. Gato não. Só aceita relação de independência e afeto. E como não cede ao homem, mesmo quando dele dependente, é chamado de traiçoeiro, egoísta, safado, espertalhão ou falso.

“Falso”, porque não aceita a nossa falsidade e só admite afeto com troca e respeito pela individualidade. O gato não gosta de alguém porque precisa gostar para se sentir melhor. Ele gosta pelo amor que lhe é próprio, que é dele e o dá se quiser.

O gato devolve ao homem a exata medida da relação que dele parte. Sábio, é esperto. O gato é zen. O gato é Tao. Conhece o segredo da não-ação que não é inação. Nada pede a quem não o quer. Exigente com quem o ama, mas só depois de muito se certificar. Não pede amor, mas se lhe dá, então o exige.

O gato não pede amor. Nem dele depende. Mas, quando o sente, é capaz de amar muito. Discretamente, porém, sem derramar-se. O gato é um italiano educado na Inglaterra. Sente como um italiano, mas se comporta como um lorde inglês.

Quem não se relaciona bem com o próprio inconsciente não transa o gato. Ele aparece, então, como ameaça, porque representa a relação sempre precária do homem com o (próprio) mistério. O gato não se relaciona com a aparência do homem. Vê além, por dentro e avesso. Relaciona-se com a essência.

Se o gesto de carinho é medroso ou substitui inaceitáveis (mas existentes) impulsos secretos de agressão, o gato sabe. E se defende ao afago. A relação dele é com o que está oculto, guardado e nem nós queremos, sabemos ou podemos ver. Por isso, quando esboça um gesto de entrega, de subida no colo ou manifestação de afeto, é muito verdadeiro, impulso que não pode ser desdenhado. É um gesto de confiança que honra quem o recebe; significa um julgamento.

(Juliano pula no teclado para opinar sobre a postagem: bbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbb. Coloquei uma foto dele namorando na tela para sossegá-lo. Quem tem um gato sabe que é verdade pura.)

O homem não sabe ver o gato, mas o gato sabe ver o homem. Se há desarmonia real ou latente, o gato sente. Se há solidão, ele sabe e atenua como pode (enfrenta a própria solidão de maneira muito mais valente que nós).

Se há pessoas agressivas em torno ou carregadas de maus fluidos, eles se afastam. Nada dizem, não reclamam. Afastam-se. Quem não os sabe “ler” pensa que “eles não estão ali”, “saíram” ou “sei lá onde o gato se meteu”. Não é isso! É preciso compreender porque o gato não está ali. Presente ou ausente, ensina e manifesta algo. Perto ou longe, olhando ou fingindo não ver, está comunicando códigos que nem sempre (ou quase nunca) sabemos traduzir.

O gato vê mais, vê dentro e além de nós. Relaciona-se com fluidos, auras, fantasmas amigos e opressores. O gato é médium, bruxo, alquimista e parapsicólogo. É uma chance de meditação permanente ao nosso lado, a ensinar paciência, atenção, silêncio e mistério.

Monge, sim, refinado, silencioso, meditativo e sábio, a nos devolver as perguntas medrosas esperando que encontremos o caminho na sua busca, em vez de o querer preparado, já conhecido e trilhado. O gato sempre responde com uma nova questão, remetendo-nos à pesquisa permanente do real, à busca incessante, à certeza de que cada segundo contém a possibilidade de criatividade e novas inter-relações, infinitas, entre as coisas.

O gato é uma lição diária de afeto verdadeiro e fiel. Suas manifestações são íntimas e profundas. Exigem recolhimento, entrega, atenção. Desatentos não agradam os gatos. Bulhosos os irritam. Tudo o que precisa de promoção ou explicação os assusta. Ingratos os desgostam. Falastrões os entediam. O gato não quer explicação, quer afirmação. Vive do verdadeiro e não se ilude com aparências. Ninguém em toda a natureza, aprendeu a bastar-se (até na higiene) a si mesmo como o gato.

Lição de sono e de musculação, o gato nos ensina todas as posições de respiração e yoga. Ensina a dormir com entrega total e diluição no Cosmos. Ensina a espreguiçar-se com a massagem mais completa em todos os músculos, preparando-os para a ação imediata. Se os preparadores físicos aprendessem o aquecimento do gato, os jogadores reservas não levariam tanto tempo (quase quinze minutos) se aquecendo para entrar em campo. O gato sai do sono para o máximo de ação, tensão e elasticidade num segundo. Conhece o desempenho preciso e milimétrico de cada parte do seu corpo, ao qual ama e preserva como a um templo.

Lições de saúde sexual e sensualidade. Lição de envolvimento amoroso com dedicação integral de vários dias. Lição de organização familiar e de definição de espaço próprio e território pessoal. Lição de anatomia, equilíbrio, desempenho muscular. Lição de salto. Lição de silêncio. Lição de descanso. Lição de introversão. Lição de contato com o mistério, o escuro e a sombra. Lição de religiosidade sem ícones.

Lição de alimentação e requinte. Lição de bom gesto e senso de oportunidade. Lição de vida e elegância, a mais completa, diária, silenciosa, educada, sem cobranças, sem veemências ou exageros e incontinências.

O gato é um monge portátil sempre à disposição de quem o saiba perceber.

OBS: O meu "monge portátil" é um gato de biblioteca.



2009

A FRAGMENTAÇÃO LÍRICA DO EU DRUMMONIANO

CURSO DE APRECIAÇÃO DE ARTE


A fragmentação lírica do Eu drummoniano

Facilitadora: Paula Izabela

Carlos Drummond de Andrade se despediu da “vida besta” (expressão do poeta em Cidadezinha qualquer), legando-nos um vasto acervo artístico para a fortuna da Literatura Brasileira. Diante da magnífica profundeza do seu talento, animamo-nos a homenageá-lo através de uma apreciação vertical e lúcida de algumas de suas poesias. Uma investigação da poética drummoniana numa panorâmica das fases e faces: a metapoesia, a infância, a família, a terra, o amor, o erótico, o cotidiano, a questão social, o humor, a ironia, as indagações metafísicas, o sagrado, o profano, as dores individuais e universais.

Dias: 26, 27, 28 e 29 de maio de 2009

Horário: 18h às 21h

Local: CCBNB Sousa - PB


Reprogramar minha agenda para uma semana de ausência é estresse para antes-durante-depois da viagem. Tenho que organizar os dias/horários que poderei repor minhas aulas pela manhã no SESI, providenciar uma professora substituta para ministrar minhas aulas no sítio à tarde e adular os professores do SESC para cobrirem meus horários da noite. Depois de tudo isso ainda fico com fama de descompromissada e irresponsável. Bem... Crescer é caro! Podemos escolher o tamanho que queremos ter/ser, mas o preço é sempre superfaturado.

A bíblia nos ensinou que um servo só não pode servir a dois senhores, porque invariavelmente amará um e odiará o outro. No meu caso, uma única professora para atender quatro instituições é briga de foice.

Para aqueles que acham que exagero vou dar uma pequena amostra da situação. Na véspera da minha viagem havia um evento no grupo de oração de mamãe e ela não dispensava minha ajuda. Quando cheguei em casa meia-noite estava e...x...a...u...s...t...a... Não tive tempo de arrumar as malas por diversos motivos – muito menos selecionar o material didático que precisaria levar. Coloquei o despertador para às 5h da madru. Confesso: ele tocou, eu desliguei e continuei dormindo. Levantei às 6h atordoada – mais do que o normal. 08:50 eu estava desligando o pc e fechando a mala simultaneamente para viajar às 09:00. Agravante: ainda de camisola, em jejum, com direito a remela e bafo de ontem. Como viver me despenteia, não pergunte pelos meus cabelos. Troquei de roupa no intervalo entre a porta do meu quarto e a porta da rua. Dentro do táxi prendi o cabelo sem pentear, calcei as meias e o tênis. Já instalada na poltrona do ônibus fiz o desjejum: uma barrinha de cereal. Ah, o banho, né? Tomei na pousada às 14h quando cheguei na PB.

Por que estou contando isso? Para que o fã-clube do contra (argh!) perceba que meu dia só tem 24h como o de todo mundo, se realizo muito mais é porque aceitei fazer escolhas e correr riscos.

Deixemos para lá a dor de ser quem eu sou e vamos às delícias... A viagem foi maravilhosa! Cara de pau a minha em ser tão sintética. Vamos por partes... Viajar é o método mais prático para me tornar uma pessoa melhor. Conhecer gramas mais verdes e menos verdes é um banho de lucidez.
*
Estrada: coletivo de buracos.
*
Percurso: tentando sintonizar FM pelo celular novo (pobreza...).
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Mala novinha: o segredo 007 emperrou e só abriu porque eu rezei até para meu anjo da guarda.
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Taxista PB: Manoel foi me deixar na pousada e no dia de me buscar sumiu. (Também com esse nome... eu devia ter desconfiado.) Tive que pegar uma carona com um desconhecido para não perder o ônibus.
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Pousada Carrapicho: o quarto e a comida eram ótimos, mas o atendimento deixou muito a desejar. (Sou fresca mesmo, e daí?)
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Curso: revi e fiz amigos, postarei as fotos no orkut em agosto. De Deus.
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CCBNB: eita, povo lindo que eu amo... Entre os três Centros, o de Sousa é o mais receptivo e alegre. Me sinto em casa!
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Turismo: Aline Gadelha, minha nova amiga, me ciceroneou em muitos lugares incríveis.
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Sousa: continua linda, tranquila e aconchegante... Fui pela terceira vez e sempre sinto vontade de ficar por lá. Faça as malas e vá conhecer! Psiu... Escove os dentes antes! Sousa é a cidade do sorriso ;-D
2009