PANAPLÉIA

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Bem-vindo(a) ao Laboratório de Autoria de Panapléia! À esquerda das postagens, estão meus textos divididos em categorias e temas. À direita, indicações de blogs e as mídias sociais. No rodapé, mimos felinos e os créditos do blog. Boa leitura!

LUA GÉLIDA



Monalisa ensaiava no espelho seus enigmas, nas últimas luas tudo era o nada a que se opunha. Muitas foram as fases passadas sem que o Monte de Vênus fosse revisitado. Quase todos seguiam rumo ao arco-íris, enquanto os armários eram esvaziados.
Mulheres caririenses eram massacradas e assassinadas impunemente, fosse por ter companheiro ou até por não tê-lo, por tiros ou por pedradas, por ciúmes ou por inveja, por latrocínio ou por passatempo.
Pesadelos com roteiros de longas de terror prenunciavam que ninguém era completamente inocente naquela galáxia: a máfia csestina, o suserano estelionatário, o espanhol saqueador, o gesseiro corrupto, o vizinho assaltante, a historiadora invejosa, o motorista assassino, o farmacêutico fraudulento e o advogado esquizofrênico.
Na manhã de sexta-feira, o quarteto Metralha invadiu Tathiany e a bibliotecária foi morta por um tiro na testa quando seu patrão reagiu ao assalto. Kyara era uma jovem de 24 anos que tratava as bijuterias como enfeites de estantes – aqueles retângulos coloridos quase nunca lidos.
O almoço feriante foi interrompido por um telefonema esclarecedor: in cesto ao felino que gritava para dentro, dilacerassem os aleijados em cadeiras de rodas e quem estava no fundo do poço parasse de cavar. Os telefonemas que se sucederam para clínicas, hospitais e até inimigos eram ainda mais cruéis: só há salvação para os jovens.
Até a caravana passar nem o expediente após o almoço durou para sempre. Os PHDs em desilusões amorosas foram ao Sarau da Independência investigar o terrível mistério do vestido que verteu sangue. William descobriu a razão: o inferno estava vazio e os demônios estavam soltos por toda parte.
Na hora do Angelus, a florista irrompeu um grito:
– Quem acendeu aquela vela nos pés de Santo Antônio?
– Nós estávamos na internet vendo Rodrigo Santoro discutir africanidades – responderam em coro as caboclinhas.
– Eu nem voltei para Ítaca – se defendeu Ulisses antes de escarrar no chão.
– Naum – grunhiu a feiticeira branca do alto do seu trono suspenso no ar.
– Branquinha, você não é gente como a gente! Nós é que somos tão animais quanto você – Ariano sentenciou.
Olharam-se como cúmplices de um crime ainda prestes a ser cometido. Aquela chama ululante perfumava a casa com o odor dos velórios de nunca mais.
Um coração necrosado parava de pulsar quando o sino da Igreja de Santo Antônio soou em Barbalha.
– São as doze badaladas noturnas – observou a caboclinha mais velha. – Então, quem acendeu a vela foi uma alma do reino da gulória.
– Agora que você disse isso terá que ir comigo ao banheiro. Não quero que Chucky me veja fazendo o número dois – dizendo isso a caboclinha mais nova começou a chorar pela parede infiltrada.
– Você não é chorona, você é uma TPM ininterrupta. 

| 2011 |

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