PANAPLÉIA

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Bem-vindo(a) ao Laboratório de Autoria de Panapléia! À esquerda das postagens, estão meus textos divididos em categorias e temas. À direita, indicações de blogs e as mídias sociais. No rodapé, mimos felinos e os créditos do blog. Boa leitura!
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O SERTÃO DE ARIANO: PERSONAGENS PICARESCOS


CLUBE DO LEITOR – CCBNB SOUSA

O SERTÃO DE ARIANO: PERSONAGENS PICARESCOS



25 de julho de 2013, quarta-feira, 19h às 21h.

Convidada: Paula Izabela
Personagens criados com maestria pelo paraibano Ariano Suassuna se envolvem em tramas simples para tratar de conflitos complexos. Peças próximas dos folhetos de cordel e dos folguedos populares, além de engraçadas, possuem um fundo filosófico e moral. Neste Clube, uma proposta sagrada e profana: refletir sobre os pecados sertanejos e divertir-se com os quiproquós da ficção.

Produção: Tinto Marques.
| 2013 |


CENTENÁRIO DO VELHO BRAGA (PB)



CLUBE DO LEITOR – CCBNB SOUSA

ESPECIAL ABRIL PARA LEITURA

CENTENÁRIO DO VELHO BRAGA

17 de abril de 2013, quarta-feira, 19h.

Facilitadora: Paula Izabela 

Edição comemorativa ao centenário de Rubem Braga. O poeta da crônica – como era conhecido – foi mestre na escrita livre de ostentações. Com doce ironia, o cigano fazendeiro do ar ressaltava a importância do que estava por trás da conversa fiada. Venha discutir conosco alguns dos mais de 15 mil textos publicados pelo sabiá da crônica. 90 min.

Produção: Maycon Carvalho

| 2013 |

O FAZER CULTURAL EM EVOLUÇÃO

Aguarde postagem.

BANDEIRA, ESTRELA DA VIDA INTEIRA


CLUBE DO LEITOR – CCBNB SOUSA

BANDEIRA, ESTRELA DA VIDA INTEIRA

31 de janeiro de 2013 (quinta-feira), 19h.

Facilitadora: Paula Izabela (Juazeiro do Norte – CE)

Produção: Ana Paula P. Gomes

Convivendo com várias gerações de escritores, Manuel Bandeira jamais traiu sua sensibilidade ou suavizou seu espírito crítico. Mestre de uma composição perfeitamente harmônica e de extremo despojamento, seu legado é rico de lições de vida. Uma vida iluminada por epifanias e alumbramentos. 90 min.


| 2013 |

PIZZA COM LIVROS - 1ª FORNADA SOUSENSE


| 2013 |

RETROSPECTIVA 2012

''Porque a força de dentro é maior que todos os ventos contrários." Caio Fernando Abreu



Em 1997, na época em que eu ainda escrevia “querido diário”, escrevi a minha primeira retrô que foi febre entre as amigas. Talvez uma pessoa que escrevia diário para ser lido assiduamente por uma dúzia de amigas era blogueira de papel antes de ser criado o primeiro blog dessa civilização.

Por volta do ano 2000, a retrô virou e-mail coletivo para um grupo intitulado Clube da Luluzinha. Em 2008 as retrôs chegaram ao VIVER ME DESPENTEIA, ainda personificado apenas como Laboratório de Autoria.

Quem está entrando nessa barca, cheia de furinhos, pela primeira vez deve saber que desde 2005 os anos foram batizados de alguma forma jocosa por um motivo bem concreto. Vale relembrá-los:

2005 – o ano da Urucubaca;
2006 – um ano Barroco;

2007 – o ano do Sol Quente;


Assim sendo, 2012 fica sendo...

O ANO EM QUE O MUNDO NÃO ACABOU!


JANEIRO 2012:

2012 logo mostrou para que veio quando a coordenadora recém empossada me informou que eu teria que abrir mão das minhas atividades freelas, correspondentes a um terço da minha renda, em troca do... sorriso do gerente e da minha carteira assinada. Como eu não sou dentista, nem promoter de creme dental ou nada que equivalha, reconheci que aquela era uma decisão que já havia sido por muito adiada. Chegara o momento de escolher!
Tomar decisão de barriga vazia não é aconselhável a ninguém. Melhor jantar com os amigos numa churrascaria da capital – preferencialmente com a conta paga pelo idealizador do encontro. Não demorou a berlinda ser o dilema profissional do momento. No meio do meu transe verborrágico fui interrompida por um:

– Eu compro suas horas!

Não sendo nada imoral, ilegal ou que engorde... Vendidas!

FEVEREIRO 2012:

E eu que havia duvidado quando, alguns meses antes, ouvi de um descendente de ciganos:

– Você perderá algo que gosta muito e sofrerá por isso. Não será nada fácil deixar tudo que construiu para trás, mas será necessário para seu crescimento. Até janeiro você receberá uma proposta de fora, da capital.

Dia 02 de fevereiro reunião de 180 minutos com meu gerente, não chegamos a um consenso sobre minhas atividades extras. Dia 07, independência ou morte, entreguei minha carta de demissão.

MARÇO 2012:

Dia 03, bota-fora coletivo: Rosana da faculdade e eu do trabalho. Como tudo (de ruim e de bom) no Brasil acaba na gastronomia italiana, viva as massas! Só não esperávamos que o Pizza com Livros fosse se tornar febre que só cura com chá de orégano. 

Dia Internacional da Mulher, meu último dia de aviso prévio. Dia 09 assinar a rescisão. Dia 10 bota-fora (literalmente) da empresa. Dia 11 ter certeza que meu mundo acabou em 2012. Algum dia depois do dia 12, ouvir do meu novo patrão:

– Tire um mês de férias. Você está precisando. Depois disso a gente conversa.

Foi isso mesmo? Esse cara sou eu se arrependeu de haver me convidado para trabalhar com ele? Meu primeiro mês de trabalho seria de férias ou my boss estava me demitindo antes que eu fizesse alguma besteira? Na dúvida, obedecendo às ordens e arrumando as malas para a III FLIBO.

ABRIL 2012:

Abril para a Leitura mais um ano fechando com minha beleza. Mala, rodoviária, evento, hotel, rodoviária, evento, aeroporto, bagagem extraviada, evento, aeroporto, hospital... Ops! Esse item não estava na lista, mas furou a fila, bloqueou minha agenda e cancelou os projetos agendados.

Era 18 de abril, estava na sala de embarque do aeroporto de Fortaleza, liguei para mamãe e soube que papai havia sido internado. Do aeroporto de Juazeiro, segui com mala, maleta e malinha, para o hospital.

Papai desenganado pelos médicos: complicações no fígado, vesícula, pâncreas, rins, esôfago e pulmão. A vida em stand by a nossa volta. Soro, sondas, cateteres, termômetros, balanças, banhos, papinhas. Agora eu era o pai e ele era a filha – o meu mundo estava mesmo acabando em 2012.

MAIO 2012:

Aniversário de casamento dos meus pais, aniversário de 15 da minha sobrinha e tudo mais sendo ignorado por nós. Todas as energias voltadas para um único propósito: salvar meu pai.

A pressão de mamãe não suportou a pressão. Ela precisou ser internada em observação no mesmo hospital que papai estava. Como escreveu minha gerente siamesa por e-mail: “Até os mais bravos guerreiros precisam de colo de vez em quando.”

Do nada me apareceu um pretendente da adolescência que eu não via há uns 13 anos. Apesar das minhas objeções e desculpas, desocupou o bar do meu pai, lavou a casa, mudou os móveis de lugar e deixou tudo pronto para recebê-lo. Enfim, fez tudo que eu não poderia fazer com meu pé enfaixado pelo dedo quebrado no cantinho da cama (a lesada sou eu...).

Dia 17, após 29 dias com os olhos grudados no visor dos aparelhos, trouxemos papai para casa. Magro, abatido, quase sem andar e boa parte do tempo inconsciente. Alimentação hospitalar e cuidados hospitalares por todos os dias da sua segunda vida – o maior de todos os milagres.
  
JUNHO 2012:

Preocupada com o novo emprego. As férias inaugurais seguidas por um caos de um mês inteiro. Resposta do my boss por e-mail: “Não se preocupe com mais nada. Família é prioridade.”

Preocupada com a última disciplina da FGV. Se eu fosse reprovada em Direito Autoral perderia o certificado de conclusão do meu curso de 02 anos. Estava devendo responder mais de 200 fóruns, ler/estudar todo o conteúdo e resolver/encaminhar 05 provas. Enviei um e-mail perguntando ao Prof. Clébio Paulo se eu ainda tinha alguma chance de recuperar a disciplina. Como um bom advogado, ele respondeu me fazendo uma lavagem cerebral. Coisa pouca... Só o suficiente para me fazer passar 05 dias plantada na frente do pc – pequenos intervalos para tomar banho. Comer é para os fracos! Dormir para quê se a gente pisca? Conclui Direitos Autorais dentro do prazo negociado. Média final: dez! Lero, lero!

Dia 12, não foi nada romântico. Além da morte de Manolo (meu sobrinho bichano da Paraíba), foi divulgado o resultado dos 40 alunos selecionados pela FGV para a etapa final em Brasília. Meu nome não estava lá. O 40º colocado tinha 9.60, mas a minha média global era 9.90. Comassim, tio prof?

Num programa de 9.500 inscritos no país, 3.552 aprovados no nivelamento, 1.873 aprovados na fase presencial, 1.764 ingressos nos módulos com tutoria, 133 concludentes com tutoria... Depois de sobreviver a todos esses gargalos eu ia morrer por um “erro do sistema"? Rodei a paraibana, a cigana e a fada Morgana!

Mobilização entre os colegas na plataforma EAD, 24 e-mails para a FGV, dezenas de ligações para o MinC e alguns (afetos e desafetos) poderosos depois, a Sefic me notificou que ia abrir as pernas. Ops! Ia abrir mais 10 vagas em Brasília por conta das “falhas do sistema”. De nada, 09 colegas beneficiados pela minha guerrilha!

Dia 27, cheguei exausta e exaurida a minha 34ª troca de pelos!

JULHO 2012:

Brasília: Aninha de Hollanda, querida, cheguei!

Você não sabe o quanto eu caminhei
pra chegar até aqui.
Percorri milhas e milhas antes de dormir,
eu não cochilei.
Os mais belos montes escalei,
nas noites escuras de frio chorei.
A vida ensina e o tempo traz o tom
pra nascer uma canção.
Com a fé no dia a dia
encontro a solução.

Brasília: amanhecia 10ºC no meu resfriado; ao meio-dia uns 40ºC do esnobismo do Prof. Pimenta; ao entardecer uns 30ºC dos sacarmos do panapleu; à noite uns 20ºC no pescoço de peru e no dia seguinte tudo de novo.

O MinC só poderia oferecer cafezinho durante nossa estada no curso. Mas eu não tomo café – minha religião não permite. Cartão de crédito para as passagens e alimentação; QG de JanainaRico para minha sombra e eu; Nonato para o city tour; Wandilene para comprar meus absorventes (experimenta andar a pé no Plano Piloto...); e claro, amigos de todas as regiões desse Brasil imenso.

Chegando de Brasília, Fortaleza para a editora, Sousa para o CCBNB e Campina Grande para o I Colóquio Celso Furtado. E como diria o Garfield: “Ser herói cansa! Quando é que esses caras comem?”

AGOSTO 2012:

Mês EMO! Chega de viagem! Sério: cansei!

Cancelei a ida para Fortaleza (receber a premiação do Viver me despenteia que foi o blog mais votado no site da Janaina Rico); cancelei a ida para Recife; cancelei a ida para Campina Grande. Cancelei tudo!

Algumas publicações com meu nome circulando por aí, em sites, agendas e coletâneas. Quem essa pessoa? Esse cara não sou eu! Socorro!

Cama, eu te amo! Só você me entende!

SETEMBRO 2012:

Uma passada meteórica pela III Feira do Livro Infantil de Fortaleza; as ações na editora tomando forma; os projetos no CCBNB sobrevivendo aos desafios; as aulas no município sofrendo com os arremessos políticos de campanha; o Pizza com Livros conquistando leitores e paladares; e meu pai reagindo bem ao tratamento (graças a Deus). De vez em quando, a vida parece não ser tão cruel.

OUTUBRO 2012:

Uma tarde calorenta, encalacrados no trânsito da capital, my boss me olha pelo espelho retrovisor e interrompe meu discurso sobre a CNIC que acontecia naquele momento:

– Você deveria se candidatar ao Conselho Nacional de Políticas Culturais. É bem o seu perfil...

Um cento de dias depois, exatamente dia 25 de outubro, recebo um e-mail do Carlos Vaz. Delegada? Quem? Eu? Eleita no Ceará pelo Colegiado Setorial do Livro, Leitura e Literatura? Quando eu sigo as sugestões alheias sempre acabo no susto.

NOVEMBRO 2012:

Entre o Clube do Leitor sobre Lobato no Cariri e o Clube do Leitor sobre Quintana em Sousa, a X Bienal Internacional do Livro em Fortaleza.

“Daí pra frente ninguém mais se espanta,
E o resto da noitada eu não posso contar.
Anoiteceu, e eu voltei pra casa,
que o dia foi longo e o sol quer descansar.”

DEZEMBRO 2012:

Como num só mês foi colidir na minha agenda a mediação/produção do lançamento do livro do ICVC; a oficina de Economia Criativa; um Clube do Leitor com Flávio Queiróz (meu ícone da graduação); uma viagem para Brasília; outra para Guaramiranga e duas para Fortaleza?

Paula Izabela, sua louca despenteada, como é que você pode permitir tudo isso na mesma galáxia e no mesmo século?

Brasília: Marta Suplicy, sogrinha querida, cheguei!

Dessa vez Brasília não estava congelando, estava fervendo. Dessa vez eu não paguei nada, o MinC bancou tudo (oia aí, as coisa miorano...). Dessa vez eu não tive tempo de fazer city tour, mal tinha tempo de almoçar. Dessa vez eu não fiz amigos, fiz campanha política. Dessa vez não fui eleita delegada, fui eleita suplente da Cadeia Criativa do CSLLL/CNPC 2013-2014. Você não entendeu essa eleição? Nem eu! Então, deixa quieto!

DIA 21 DE 12 DE 2012 – O DIA EM QUE O MUNDO NÃO ACABOU:

As expectativas não me pareciam otimistas para sobrevivência – tudo culpa dos maias? As duas viagens a Brasília em 2012 me envelheceram uns 30 anos. As 30 horas de confraternização no Vale das Nuvens (Eco hotel em Guaramiranga), com my boss e meus hilariantes colegas de trabalho, me devolveram meus 3.4 com corpinho de... Seria politicamente correto deixar essas questões polêmicas para outro texto, né? Vai que alguém discorda...

PREVISÃO PARA OS PRÓXIMOS 365 DIAS:

2012 arrastou muitos escritores (snif...), levou também alguns amigos e parentes (snif...), provou os que ficaram pelo aço, pelo fogo e pelo fel. Se minha família sobreviveu ao ano que era para acabar com o planeta, acredito que estamos aptos para 2013.

Quanto a essa despenteada aqui, aprendi a recomeçar com meus gatos. É preciso se encolher e balançar antes dos grandes saltos. Otimismo sempre! E desafios também! Afinal, ostra ociosa e feliz não produz pérola.

2013, estamos prontos! 

Venha que nós queremos lhe usar!





QUINTANARES: O (UNI)VERSO DO CONTRA


CLUBE DO LEITOR – CCBNB SOUSA

QUINTANARES: O (UNI)VERSO DO CONTRA

29 de novembro de 2012 (quinta-feira)

Facilitadora: Paula Izabela

Produção: Geraldo Bernardo

O poeta das coisas simples, Mario Quintana, mistura humor sutil com diáfana melancolia para um sabor total: eternamente gosto de nunca e de sempre. Sem a poesia, pura como um punhal de sacrifício, não haverá salvação. 90 min.



| 2012 |

PIZZA COM LIVROS – METADE VÍCIO, METADE HÁBITO


Era uma vez... Uma confraternização idealizada numa página virtual. As duas mães – pai? que pai? – sabiam que o bebezinho não sobreviveria às águas de março. Graças ao presunto e ao catupiry, o bebê cresceu, cresceu, cresceu e...
─ Tchau, mães! Vou pra Shangrilá!

Pizza com Livros foi idealizado em 21 de fevereiro de 2012.

Depois do Pizza com Livros ter passeado por Juazeiro, Brasília e Fortaleza – com convites para Crato, Barbalha, Campina Grande, Sousa, Natal e Recife – tenho repetido diariamente a origem do evento. Ontem uma jornalista me enviou uma mensagem solicitando informações...
─ Tchau, filhinho! Boa sorte em Shangrilá!
─ Mãeeee! Preciso do meu registro de nascimento pra tirar meu passaporte!
Uma postagem satírica no Facebook sobre falta de ética. Enviei mensagem interna para Rosana Marinho perguntando o porquê do veneninho. Minha ex-aluna explicou que estava deixando o Cariri – antes do último pau-de-arara – para cursar Mestrado em Biblioteconomia.
─ Sinta-se convidada pra meu bota-fora, professora! Já estou organizando tudo.
─ Sendo assim, faremos um bota-fora pra nós duas. Pedi demissão do Pré-Vestibular pra trabalhar com uma editora de Fortaleza.
─ Perfeito! Reuniremos nossos amigos em algum lugar. Só os mais chegados!
─ Discordo! Vamos convidar todos os nossos contatos. Não temos que nos desculpar por estarmos progredindo. É motivo de festa! Só espero que algum dos seus amigos não seja meu desafeto ou vice-versa.
─ Esse é o risco que corremos!
─ Um Chá com Livros! Cada participante levará um livro pra gente sortear. E poderão, se quiserem, levar outro livro para nos presentear.
─ Mas iremos servir chá? Fica tão formal... E café? Café Literário...
─ Café? Mas não tomo café.
─ Continua esquisito... Era bom algo original!
─ Que tal pizza, Rô? Tenho uns amigos escritores em Fortaleza que aglutinam meu nome e me chamam de PIZA, às vezes PIZZA.
─ Massa, Paula Izabela! Literalmente! É uma espécie de “tô linda, tô feliz e tudo acaba em pizza sempre”. Pizza com Livros já!
─ A gente pede pra cada pessoa levar um livro, usado mesmo. E faz um sorteio. Melhor ligar pra gente combinar os detalhes. Qual é o teu número?
Era 03 de março de 2012 quando nos reunimos com uma dúzia de amigos para nossa primeiríssima fornada. Cada fatia um flash! Sorteios e risos. Confissões e lágrimas. Abraços, despedidas e votos de felicidades!
O inesperado através do Facebook:
─ Rainha-Diva do Orégano, queremos outra humilde fornada comunitária – provocou o Prof. Dr. Edson Martins, PHD em Manjericão.
Bombardeios virtuais:
─ Paula Izabela, qual é teu endereço? Vou aí copiar as fotos da pizzaria.
─ Quando será a próxima pizza? Pode ser daqui a meia hora na minha casa?
─ Meu professor quer levar 80 alunos pra próxima edição. Tem problema?
─ Posso convidar meu ex? Quem sabe ele se convence a gostar de ler.
─ Amiga, o que é esse Pizza com Livros? Podemos ter um aqui em Campina Grande também?
─ Meu cachorro adora pizza. Livro ele também devora. Ele pode participar?
─ Queridos amigos, aquele evento foi apenas um bota-fora. Não teremos outro. Não mudo de emprego toda semana. E nossa amiga-colaboradora, Rosana Marinho, já viajou para Recife. Não posso realizar o evento (de coautoria dela) em sua ausência. Por favor, não insistam! Grata pela compreensão!
─ QUEREMOS PIZZA COM LIVROS!!!
─ Acalmem-se! Sem baderna! Estou recebendo trocentas postagens por dia com a mesma choradeira. Vocês estão bagunçando minha página. Criei um grupo no Facebook: Pizza com Livros. Por favor, postem suas manifestações apenas lá.
─ Um grupo pro Pizza com Livros? Iupi, iupi, urra!!!
Rosana, pelo amor da Mussarela, eu posso realizar as edições sem você?
─ Se já tem até grupo formado... Manda lenha nessa massa! E vamos agendar o de Recife!
─ Combinado! Só irei estabelecer que evitaremos repetir pizzarias.
Em 07 de abril de 2012, saiu quentinha a 2ª fornada em pleno sábado de Aleluia. Edição de Páscoa com direito a pizza sabor chocolate!
─ Chega de José de Alencar! Precisamos eleger um patrono para nossas pizzas! – iniciou Bilar Gregório.
Florbela Espanca!!!
Raquel de Queiroz!
Isabel Allende!
Laura Esquivel!
Florbela ganhou quase por unanimidade, embora eu tenha discordado de outra Bela em minha cozinha. Bullying gastronômico! Em 09 de junho de 2012, tivemos a 3ª fornada em homenagem a Sóror Saudade já em clima de namorados.
O inesperado sempre pelo Facebook:
─ Paula Izabela, quando será a edição de Fortaleza? – eram os colegas da editora.
─ Ah, não, turma... É só para os amigos aqui do Cariri.
─ E seus amigos de Fortaleza? Também queremos Pizza com Livros!
Viagem para concluir meu curso de Projetos Culturais FGV/MinC em Brasília. Finalmente comer pescoço de peru e esquecer...
─ Pizza e Brasília! Tudo a ver, Paula Izabela! Queremos uma fornada aqui também! Todo mundo com a comanda 171 na mão!
A fornada do Plano Piloto aconteceu numa Creperia da Asa Sul em 04 de julho de 2012. A pizza virou crepe porque em Brasília nada é exatamente aquilo que parece ser, mas todos são inocentes.
De volta ao Ceará, nova pressão para a 4ª fornada Cariri. Mas pelo amor do Bacon, nunca mais uma fornada longe de...
─ Amiga, venha fazer um Pizza com Livros em Natal!
─ Traz o Pizza com Livros pra Sousa, mulher!
O ponteiro da balança e eu num campeonato de pizzarias. E...
─ Alô! Vocês podem dar uma entrevista pra TV sobre esse evento?
                   Pizza engorda... TV mais ainda... Garfield vai em meu lugar!


PS: Rô, se livros usados dessem lucro, nós seríamos o Mark Zuckerberg das pizzas!

| 2012 |

DOIS CARIRIS

Lá poetas defendem
sua licença pra matar.
Cá mendigos proclamam
 reinados ininterruptos.
Lá canalhas exigem
seu direito ao perdão.
Cá fiéis tudo podem
Naquele que lhes fortalece.

Lá tem caririzeiro!
Cá tem caririense!

Há um Cariri na Paraíba
e outro no Ceará,
banhados por uma luz bem branca
toda tecida em renascença,
feito vestido de donzela
que casa no dia do santo.

Carinho de mãe é pouco,
amor de pai é nada,
perto do capricho de cores
exibido nessas matas.
Ondas de folhas verdes
que só vê quem já pecou
com mão em concha
e coração em festa.

Beleza é estado de espírito
mantido pela eternidade,
mas só nasce à meia-noite
e faz inveja a menina-moça
até na eterna idade
de quem enrugou de viver.

Perfeição é o Cariri,
o de lá e o daqui.
Prenda de Deus pra enternecer
quem cava a rocha todo dia,
o dia todo a cavar.



Poema publicado pela coletânea "Cântico ao Cariri" na Paraíba.

| 2012 |

UM TETO PARA VIRGINIA WOOLF



CLUBE DO LEITOR – CCBNB SOUSA

UM TETO PARA VIRGINIA WOOLF

25 de julho de 2012, quinta-feira, 19h.

FACILITADORA: Paula Izabela

MEDIADORA: Gisele Quixabeira

PRODUTORA: Lívia Portela

130 anos após o nascimento da modernista do fluxo da consciência, ainda ressoa em nossos ouvidos seu dilema: “por que a vida é tão trágica”? Desvende os segredos de uma órfã londrina, de saúde frágil, integrante do círculo de Bloomsbury, feminista e suicida. 90 min.

| 2012 |

"SER CLARA" SE DESPENTEIA EM FORTALEZA

Brasília (DF), julho de 2012. Foto: João Bosco Dumont.




Amigos, é com alegria que comunico a vocês o blog ganhador da promoção SER CLARA da escritora Janaina Rico (DF). 

Agradeço a todos que votaram no Viver me despenteia. Graças aos votos de vocês, Fortaleza foi a primeira capital brasileira a realizar o lançamento do SER CLARA, via promoção Pra onde Janaina Rico vai?.

Fortaleza ficou em 1º lugar com 34,08% dos votos e o Rio de Janeiro em 2º lugar com 24,34% dos votos.
O blog Viver me despenteia (CE) obteve 18,73% dos votos ficando em 1º lugar no país, e em 2º lugar, o blog Apaixonada por livros (RJ) com 17,60% dos votos.

Por essa premiação receberei o kit completo do SER CLARAlivro, marcador, caneca, chaveiro e bottom. \\0//

E o Rio de Janeiro continuará lindo porque Janaina Rico lançará o SER CLARA por lá em setembro. \\0//


Kit SER CLARA da autora Janaina Rico (DF).

Infelizmente não pude comparecer ao lançamento no último sábado, 04 de agosto, na Livraria Saraiva. Por morar a quase 600km da capital e estar acompanhando a recuperação do meu pai, ficou impossível me teletransportar. Felizmente visitei a autora em Brasília no início de julho.

Janaina Rico (DF) autografando "Ser Clara" em Fortaleza.

Cliquem nos links acima para conhecerem os detalhes da promoção que continua aberta para outros estados do país (aqueles que perderam, com todo respeito... risos).

| 2012 |

PIZZA COM LIVROS - 1ª FORNADA DE BRASÍLIA


| 2012 |

CENTENÁRIO DO "EU"


Em homenagem aos 100 anos do único livro publicado pelo poeta paraibano Augusto dos Anjos, celebramos a necessidade universal de também sermos feras.

| 2012 |

CICLO DO LIVRO: DA CRIAÇÃO À EDIÇÃO



TROCA DE IDEIAS – CCBNB FORTALEZA

CICLO DO LIVRO: DA CRIAÇÃO À EDIÇÃO

Dia 14 de março de 2012, sábado, 17h às 19h

CONVIDADOS: Jorge Pieiro, Kelsen Bravos e Nilto Maciel.

MEDIAÇÃO e PRODUÇÃO: Paula Izabela

Se você é apaixonado pelo objeto LIVRO, se sonha um dia escrever e publicar, se teve obra editada ou simplesmente se interessa pela palavra escrita, aproveite para  conhecer os mistérios da criação/edição e vislumbrar seus próprios caminhos literários. Debate editorial seguido pelo lançamento da coletânea “O outro dono do fim do mundo” do cearense Jorge Pieiro.


O outro dono do fim do mundo
Jorge Pieiro

 

Malaquias escorre pelas noites. Pedras, ouro, cartas, desespero. Carrega fantasmas sobre os burros. Há mais sombras e sons pelas trevas. Acredita ter finado em tempos idos a mancha de uma sombra. Deixara para trás o vácuo da notícia. Mas, desta vez, depara-se com o cão. E abandona pedras, ouro, cartas, o desesperado, como fogem a galope os burros pelas quebradas e moitas e monturos de pavor. Dez dias perdido no senso. Sem saber como, sente a mão ressequida de Belinha.
Belinha? É você? Belinha, eu vi o diabo...
Se acalme, homem. Isso é tresvario.
Eu vi, Belinha. Medonho. Na noite, aquilo nas trevas do fim do mundo. O diabo descamado. Duas brasas arregaladas nos olhos. Os chifres... Aquilo sim era o demônio, Belinha...
Besteira, Malaquias. Você nunca fez nada para ter essa sorte...


***

Anda pela noite, Malaquias é o silêncio vagando. O chão seco parece uma esponja absorvendo o medo qua agora clama no baticum do coração de Malaquias. Há tesouro em suas mãos.
Dinheiros, tesouras, réstias de botijas de um velho Estácio mandadas para outras vivendas. Cartaz, cruzes para os próximos mortos, dentaduras e lampiões... No meio da noite, Malaquias não fala o que pensa. Pode o diabo ouvir a sua voz...


***

A casa estala com o sol nas telhas. Belinha escurece a vista, enquanto bebe a sopa fraca de carne de garça. Não vai nunca mais vai ser quenga de novo. Adora Malaquias como seu rei ou seu Deus.


***

Outro dia. Ele chega, um andarilho vestido de cinzas. Não há muita água para retirar o peso da noite e da terra dos ombros. Belinha se aproxima. Os olhos rachados é o chão perto do riacho, reabilitam uma faísca no dentro mais dentro da pupila. Malaquias resmunga os restos da noite.
Dessa vez não vi o diabo!
Você é um anjo, Malaquias...
Cismo que vai acontecer uma grande dor...
Não é maior dor eu viver sozinha?
Morrer é assim mesmo, a gente teve de nascer.
Malaquias, tenho tanto medo... Essa fome que não acaba nunca...
Vai mudar, mulher, vai mudar. Nem que seja no pior!
Não diga isso, homem.
É assim a nossa sorte, não é? Assim que vai acontecer.
Amém.
Resmunga seu amor por Belinha. Ela consente. Acende a lamparina, a fumaça tisna a parede já marcada. O amor bruxuleia.


***

Pela madrugada, Malaquias novamente se espanta.
A volta pelo mundo dos segredos atinge em cheio o pensamento de Malaquias. A dúvida, o sacrifício. Sozinho por esse mundão, deslizando feito uma cobra venenosa na escuridão, carregado de recados, sonhos e encomendas, atrelado aos seus dois burros, pesados e atravessados pelo tempo. Também vale a sina para Belinha no meio da secura, solitária, garça desgarrada do bando, e por isso mesmo exposta às mãos do destino. Quando há solidão, Belinha enche o silêncio de bichos, olha a resistência das nuvens em se formar, arde ao sol, lagartixa sem nenhuma acrobacia. Quantos dias, meses, exausta-se no ermo daquele caramujo? Quando Malaquias chega, mais que apenas o Malaquias, pele-terra grudada no corpo, faz um trejeito, um esgar, recomendado como um sorriso de felicidade. É a vez da terra. E Malaquias aduba aquela terra árida, planta a semente meio morta, fraca indesejada pela má-sorte. E Belinha enruga mais ainda os olhos, esquecida de todas as agruras. Malaquias é o seu homem, seu anjo, seu diabo de amar.


***

A noite passada com Malaquias, Belinha tivera um pressentimento bom. Esquecera a fome, o medo, a solidão. Malaquias tinha um brilho diferente na testa, os olhos. Pouco sabia dos segredos, mas sentira o choque da vida, a grande explosão dentro do útero. Sim, Malaquias seria pai pela primeira vez e, com ela, viveria um instante de alegria. No retorno, abrira-se para o homem.
Malaquias, estou cheia.
Fala sério, Belinha?
Deus vai me dar outro anjo...
...
Ele escuta, coça a cabeça. Abraça Belinha. E deixa um cisco cair dentro do olho, ferindo o espelho da alma.


***

O menino cresce no seco. Uma cara de cachorro. Grunhe, somente. O gesto engraçado de um duende no meio da caatinga. Ama os urubus. Cria um, Drã, assim acostumou a ave dos cadáveres a vir até ele para comer carne de calango morto na antevéspera com um caco de vidro. Marroquin tem nas caudas vivas a maior diversão. Belinha tem pena de Marroquin. Enche-o de mimos rudes. Malaquias sofre. Não se encara com o menino. Na aparência dele, parece que vê o cão de novo. Desgosta quase por isso de Belinha. Ela sente a trave no coração, esticando a dor. Mas não fala nada. Desde que Marroquin nasceu, Belinha não fala mais nada.


***

Malaquias quase não vai mais em casa. Belinha e Marroquin se abandonam ao silêncio do sol. Esta noite, Malaquias sente o peito apertado. Noite de gelo na alma. A coruja rasga o pano do céu a gritos. Folhas secas dão motivos de espanto. A noite está diferente. Malaquias anda como se estivesse de olhos vendados. Os passos afundados vão macios, medrosos, em versão de calúnia e remorso. Neste instante pensa em Belinha, somente em Belinha. Reza por ela. Belinha sonha em casa, beliscada pela oração de Malaquias. Ele não se lembra, nem quer lembrar de Marroquin. Belinha acorda chorando um córrego de areia, que seus olhos não tem mais aquele mar. Marroquin se remexe no chão onde dorme, pois é ali que prefere trocar sementes com a terra. A noite é comprida nesta noite. Malaquias encosta-se para descansar. A respiração atropelando o pensamento. Belinha sua. A fome comprime seus nervos. Pressente. Marroquin grunhe. Parece sonhar. Parece ensaiar um riso pelo canto da boca, mais próximo a um esgar. Se se pode compreender, há felicidade dentro daquela cabeça desafinada, naquele instante. Agora, nesta hora exata em que uma luz queima a escuridão no meio do mato e parte para cima de Malaquias. Ele sente a urina inundar a perna. As pernas apodrecem, enquanto um gosto de poeira passeia pela língua. Malaquias fecha os olhos. Mais a claridade aumenta. Belinha, de tristeza e dor desfalece os sentidos. Marroquin grunhe de felicidade. É mesmo uma aura de felicidade pairando no instinto do louco. No meio desta noite, Malaquias se defronta pela segunda vez com o demônio. O bicho com a cara de Marroquin, um pesadelo, uma sombra, mas não é Marroquin é o diabo medonho beijando a face de Malaquias. O pavor é uma grande dor. Ele vai se encontrar com Belinha no lugar dos desmaios. Marroquin se aquieta. A coruja rasga o céu de uma vez por todas. A noite chega ao fim. Chega a mordida da manhã com um gosto de salitre e dois faróis acesos nos olhos esbugalhados de Malaquias. Recupera a última força e se impõe à velocidade dos desesperados.


***

Malaquias? Malaquias? O que aconteceu?
Belinha espreita esse grito quando vê seu homem se aproximando, um trapo, o fim do homem. Malaquias vem acompanhado de olheiras acesas, as roupas rasgadas. As mãos ainda tremem. Belinha agarra-se com ele. Carrega-o para dentro de casa. Por aquela boca não sai nada.
Malaquias, Malaquias, o que aconteceu?


***

Marroquin acompanha a confusão à distância. Aperta seu Drã, como se soubesse da hora. Sai correndo sem olhar para trás. Atravessa o leito seco da lagoa, mira a serra por detrás, pisa na terra vermelha a pés largos e enfrenta o vento com uma coragem de Deus. Há pouco, encontra os olhos na cidade.


***

Malaquias maquina, Belinha desacredita. Ele chuta a porta, o barro do pote, o sol na terra, o piso do vento desacreditado. Enferruja o silêncio. Belinha se desativa no canto do chão. Nunca vira Malaquias tão diabo. Os olhos encarnados, os pêlos arredios, as mãos crispadas, a secura na garganta, o defronte do delito. Em direção à Belinha, dá-se sem se aperceber ao benzido e se apaga de senso. Começa a chutar Belinha, amaldiçoando o sol, o vento, o céu, Deus. Culpa Marroquin perdido lua-sol afora. E chuta Belinha, chuta o trapo, o molambo de carne seca, a dor engolida de Belinha, até que de nada mais só é dor o pé, a perna, o corpo, a cabeça, o desespero...



   | 2012 |
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